Minicérebros: Cientistas reproduzem réplicas do corpo humano para fins medicinais

Fundada em 2015, o laboratório Tismoo está prestes a se tornar uma fábrica de órgãos em construção. O brasileiro Alysson Muotri , biólogo molecular da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia e um dos fundadores do laboratório, se diz otimista com os avanços conquistados pelo grupo. Uma das conquistas do laboratório, é reproduzir, nas réplicas, atividades elétricas semelhantes ao cérebro humano.

 

“Podemos agora afirmar que esses minicérebros humanos têm mentes próprias. O que geramos é muito próximo de um cérebro humano consciente”

 

Segundo Muotri, os protótipos podem ajudar no estudo de como o Vírus Zika altera a formação do córtex cerebral, resultando na microcefalia em bebês durante a gestação.

 

Além disso, os protótipos também podem ajudar no desenvolvimento de tratamentos personalizados para pacientes autistas, bem como o entendimento do transtorno em questão.

 

Outra vantagem dos “minicérebros” é a possibilidade viável para o teste de fármacos em relação à toxicidade, sem precisar usar o ser humano como cobaia.

 

“Usamos esses minicérebros para medir o impacto de moléculas naturais e artificiais, como pesticidas e agrotóxicos, no desenvolvimento das redes neurais. No futuro, nenhuma intervenção ambiental ocorrerá sem um ‘selo de qualidade’ emitido por análises como essa. A população exigirá esse tipo de controle antes de aceitar uma nova fábrica em seu bairro, por exemplo”, ilustra Muotri.

 

O professor Ibrahim Tarik Ozbolat – associado do Departamento de Engenharia de Ciências e Mecânica da Universidade de Penn State, nos Estados Unidos, também trabalha no desenvolvimento de um modelo de tecido pancreático para testar remédios de combate do diabetes.

 

“Foi demonstrado que os modelos 3D de tecidos fornecem uma predição significativamente mais confiável de toxicidade da droga que os modelos de cultura de células em 2D”, explica Ozbolat.

 

Embora os resultados das pesquisas são otimistas, o cientista ressalta que os testes com tecidos tridimensionais ainda vão demorar para chegar aos hospitais e consultórios, pois ainda são precoces.

 

“Essa tecnologia tem um potencial na fabricação de elementos do organismo clinicamente relevantes, mas a transição dos avanços científicos para o uso clínico e a indústria farmacêutica ainda levará um tempo.”

 

Em Agosto de 2014, o fazendeiro chinês Hu, de 46 anos recebeu um implante tridimensional com Titânio. Após cair do terceiro andar de sua casa, o fazendeiro teve parte do crânio esmagado, e passou por uma cirurgia complexa que restaurou a parte do cérebro que havia sido danificada. A substituição física do cérebro de Hu não só permitiu que o órgão voltasse a crescer, como também recuperou o formato anterior de sua cabeça.

 

Os projetos atuais têm focado em protótipos e reproduções de tecidos, mas a intenção é criar réplicas inteiramente funcionais.

 

Fonte

 

 

 

 

Author: VLBrazil