Novo ensino médio conta com competência socioemocional JR

Algumas habilidades que não são ensinadas, como responsabilidade, estabilidade emocional, extroversão, empatia e resiliência, passam a ser avaliadas como um critério de seleção nos vestibulares, que atualmente são desenvolvidos de forma dispersa nas escolas públicas e também nas privadas.

Na reforma do ensino médio baseada na proposta BNCC, que é a Base Nacional Comum Curricular, para definir a etapa que o aluno aprenderá, os educadores defendem que o tema deve ser mais amplo e ser uma disciplina obrigatória para os alunos e também na formação dos professores, já estão sendo avaliadas como critério de vestibular.

Considerado como estratégico, o desenvolvimento das competências socioemocionais auxiliam no processo de formação de identidade, que fica entre os 14 e 18 anos, na tomada de decisões e na transição para a vida adulta, e além disso é uma cobrança existente no ensino superior.

A Fundação Getulio Vargas incluiu nos seus dois últimos vestibulares na seleção de Direito e Administração, entrevistas e dinâmicas sobre o assunto. Já na faculdade Hospital Albert Einstein, foram incluídas em todos os cursos de graduação do Insper, com o objetivo de avaliar as competências socioemocionais.

Na última edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, em 2015 o assunto fez parte do exame que foi aplicado em alunos de 15 e 16 anos em 70 países. A capacidade de solução de problemas, foi testada junto dos conhecimentos em Ciências, Leitura e Matemática, e nas três categorias, o Brasil ficou entre os piores no ranking, chegando entre a 59ª e 65ª posição. Ainda não foram divulgados os resultados das avaliações socioemocional.

A psicopedagoga Anitta Abed, que desenvolveu um estudo para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura em 2014 diz que: “A adolescência é um momento muito rico do ponto de vista socioemocional, de transformação muito intensa na formação humana”, o intuito foi dar uma direção as politicas públicas quanto ao tema. “O ideal seria a escola inserir, na grade curricular, uma disciplina em que o conteúdo seria ‘habilidades cognitivas, sociais, emocionais e éticas’”, Anitta acha que o currículo do ensino médio deveria separa as disciplinas específicas para o desenvolvimento socioemocional.

Essa ideia tem sido implantada de formas diferentes em diversos colégios, nas unidades de ensino integral da rede pública, “acho essencial que essa habilidade esteja na base curricular, porque todo mundo tem necessidade de ser escutado, de falar, de estar num ambiente acolhedor e respeitoso”, é o que diz Luis Otário Targa, orientador educacional do ensino médio no Colégio Vértice, e completa: “As habilidades socioemocionais aceleram o processo de aprendizado”.

Os professores precisam ser capacitados para terem competências para ensinar, e o consenso entre os educadores ouvidos será o maior desafio para o desenvolvimento de competências socioemocionais do ensino médio, pois o objetivo não será alcançado caso o ensino seja em formato de aula tradicional que os alunos aprendem de forma passiva.

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Author: VLBrazil