O Brasil estagnou sua produção nas últimas três décadas, revela estudo

Um estudo dirigido pelo banco Credit Suisse e que foi publicado na última quarta-feira (8), revelou que no período entre os anos 50 e 80, o Brasil teve um grande aumento em produtividade e que desde então estagnou de um modo geral. Segundo o estudo realizado pelo banco, esse período inerte que perpetua ate hoje, esta relacionado com os períodos de crescimento e queda resultantes da volatilidade medida.

Na década de 80 até o início dos anos 90 houve uma diminuição de 2% em média a cada ano deste período. Entre 1991 e 2000, a média registrada teve um aumento de 1,6% a cada ano do período. No período entre 2001 e 2010, a média de crescimento se manteve, mas teve queda de 1,2% no período seguinte que vai de 2011 a 2016 fechando em 1,1% de taxa anual.

Os números são exorbitantes em comparação com o período entre os anos 50 e 80 que fechou com média anual de crescimento de 3,5% e uma forte presença da economia de consumo e serviços naquela época.

Um dos grandes motivos pelos expressivos 3,9% anual na média da renda per capita naquele período, foi a alta produtividade consecutivamente registrada com a transição de setores fracos da economia para setores em grande alta.

Foi uma época muito produtiva onde os trabalhadores migraram em grande escala, do setor agropecuário para a indústria e serviço, com isso a urbanização cresceu forte com grandes índices no crescimento da economia. São vários os fatores para a desaceleração recorrente desde os anos 80, como é o caso do baixo apadrinhamento de tecnologias e as oscilações tributárias de péssimos recursos, soma como sendo um grande fator.

O número crescente de pessoas no mercado de trabalho, conta como um fator para um crescimento de 0,7% na renda per capita no último período, pois, ainda que um trabalhador em si não produza mais, um aumento no número de trabalhadores, aumentaria o “bolo” de uma forma geral. Isso tem limites e barreiras e já está próximo desse limite.

Os resultados sugerem que o crescimento da renda per capita no Brasil será ainda mais dependente da dinâmica da produtividade nos próximos anos”, afirma o banco responsável pela pesquisa.

A produtividade é baixa e caiu em relação ao padrão internacional. E se ela não cresce, combinada com uma transição demográfica que faz com que a população em idade de trabalhar cresça mais devagar, o potencial de crescimento fica menor. A equação dos 2% a 3% [de potencial] vem daí, mas não é uma regra biológica ou escrita em pedra. Se conseguir fazer reformas, consegue crescer mais”, explica Armando Castelar, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas.

 

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Author: VLBrazil